October 30, 2020

A pior pergunta é a que você não faz

No dia da Ginecologista trouxemos algumas perguntas que as pessoas gostariam de fazer no ginecologista, mas por alguma razão não fazem. Seja por vergonha, tabu ou falta de conhecimento. Para ajudar, chamamos a Lisandra Stein, ginecologia e obstetra da Comunidade Médica Alice, para responder algumas dessas perguntas. Vamos lá!

  1. Cistos de ovário podem ser normais?

Sim, é normal e comum que a mulher tenha cistos no ovário. Vou explicar. Todo mês durante o ciclo menstrual os hormônios da mulher fazem com que o ovário produza pequenos cistos e, com o estímulo hormonal, um desses cistos irá crescer e se tornar o cisto dominante (aquele do qual o óvulo irá ser liberado). A avaliação do ultrassom pode diferenciar esses cistos ovulatórios de outros cistos mais complexos que podem precisar de algum tipo de tratamento mais específico. Dúvidas? Fala com seu Time de Saúde Alice, ok?

  1. A masturbação pode romper o hímen?

É muito pouco provável que a masturbação rompa o hímen. É o seguinte: o hímen é uma membrana que fica na entrada da vagina que tem um orifício por onde passa a menstruação, e a inserção do dedo ou de absorvente interno não tem força para chegar a romper a membrana. Ah, um dado relevante:: ainda que o hímen tenha sido há algumas décadas um dos símbolos da virgindade na nossa cultura, ter o hímen intacto não é sinônimo ser virgem. Isso porque existem diversas formas de sexo que não incluem penetração, além disso, algumas mulheres podem não ter essa membrana desde o nascimento ou tê-la com um orifício maior, e isso não significa que a pessoa não é virgem. Por isso o mais importante é que cada mulher conheça seu corpo e entenda quais as possibilidades em relação ao seu prazer.

  1. Mulher virgem pode usar tampão?

Sim, mulher virgem pode usar tampão (absorvente interno). Como dissemos na pergunta 3 o hímen é uma fina membrana que fica próxima à entrada da vagina e que tem um orifício que permite a passagem da menstruação. Quando a mulher usa o tampão ela insere o tampão por essa passagem, não havendo rompimento do hímen. Mas é importante que cada mulher conheça o próprio corpo e saiba como colocar o tampão de forma adequada. Para isso, o recomendado é conversar com uma(um) ginecologista, a melhor pessoa para te orientar nos modos de colocar e retirar o tampão, bem como do melhor tamanho de tampão a ser usado.

  1. Devo usar sabonete íntimo ou algo diferente? Como sei que o cheiro lá de baixo está normal?

A vagina da mulher tem o PH ácido variando de 3,8 a 4,2. Esse PH é gerado pela presença de bactérias (lactobacilos) que permanecem em equilíbrio na vagina e o uso de sabonete íntimo dentro da vagina pode não só alterar o PH como fazer com que haja predisposição a infecções. Sendo assim, o melhor é não usar o sabonete íntimo na parte interna da vagina. Já na parte externa (na vulva, que são os pequenos e grandes lábios) pode ser usado qualquer tipo de sabonete, tanto o íntimo quanto normal, para a limpeza do dia a dia. Ainda assim, algumas mulheres se sentem bem usando o sabonete íntimo no interior da vagina. Não é o mais indicado, mas se for usar, fique atenta para a presença de irritações, alteração do odor, ou presença de algum secreção de cor alterada. Por último, um ponto importante: o uso do sabonete íntimo após as relações não previne a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis, para isso o recomendado é usar o preservativo, masculino ou feminino.

  1. É normal sair secreção na calcinha?

Depende da secreção. Toda mulher tem uma secreção que chamamos de fisiológica, que é transparente ou levemente esbranquiçada, sem odor, e que não causa nenhum tipo de coceira ou irritação. Mas fique atenta: a secreção vaginal mudar ao longo do ciclo Menstrual. Ela é mais fluida na primeira metade do ciclo (entre o fim da menstruação e 14 dias após o início da menstruação) e fica um pouco mais espessa após o 14º dia do ciclo. O ideal é que cada mulher fique atenta ao seu ciclo para perceber essas variações. Mas se identificar mudanças na secreção em relação a cor (secreção amarelada ou esverdeada) ou ao odor (odor forte), é hora de procurar seu Time de Saúde para avaliar melhor.

  1. O que é atraso menstrual?

O ciclo menstrual é o número de dias contados entre o primeiro dia da menstruação de um mês e o último dia antes da menstruação do mês seguinte. E esse ciclo dura entre 21 em 35 dias, sendo que a média das mulheres tem o ciclo menstrual de 28 dias. Dessa forma, atraso menstrual é quando a menstruação não desce no dia esperado. Isso pode sim indicar que algo está alterado. Algumas mulheres, por exemplo, podem ter uma  alteração pontual no período da ovulação, o que pode indicar níveis altos de estresse ou até um sinal de gravidez. Importante: sempre que não ocorrer menstruação em uma mulher com ciclos regulares é importante consultar o time de saúde. E mais uma vez, a prevenção ideal é que cada mulher conheça seu ciclo e as mudanças no corpo de acordo com cada fase.

  1. Como a pílula funciona e ela funciona na pausa?      

Durante o ciclo menstrual existem variações nos níveis hormonais da mulher que estimulam a produção de grande quantidade de dois hormônios secretados pela hipófise (LH “hormônio luteinizante) e FSH (hormônio estimulante do folículo)) gerando um pico desses hormônios, o que, por sua vez, causa o fenômeno da ovulação. Os comprimidos da pílula têm uma quantidade padronizada de hormônios estrogênios e progestagênios que têm o potencial de inibir o fenômeno do pico hormonal que causa a ovulação. Dessa forma mulheres usando pílula não ovulam. Já o funcionamento da pílula vai depender do tipo de hormônio assim como da quantidade. As pílulas de uso contínuo necessitam de pausa. Já no caso das não contínuas, se for necessário fazer uma pausa, o ideal é conversar antes com seu Time de Saúde. Importante: no caso de pausa necessária a pílula funciona mesmo na pausa, pois não ocorre a ovulação em nenhum momento do ciclo. 

  1. Sexo oral numa mulher pode passar DST? Tem um jeito de se proteger?

Ao contrário do que muitos acreditam, o sexo oral também pode transmitir infecções. Isso porque para que haja transmissão de infecções é necessário que mucosas (da boca, da vagina ou do pênis) entrem em contato. Dentre as principais infecções que podem ser transmitidas dessa forma estão o HPV (causa verrugas nos órgãos genitais e boca), gonorreia (causa um tipo de corrimento), herpes (causa pequenas “bolhas” e ardor) e sífilis. Para evitar a transmissão, o sexo oral deve ser protegido por camisinha masculina ou feminina, que protegem a área genital e a boca do parceiro/parceira. Outro ponto importante é avaliar os órgãos genitais do parceiro/ parceira quando for fazer sexo oral. Algumas infecções, como HPV, podem ter manifestações visíveis, como a presença de verrugas. Mas atenção: a ausência de lesões não exclui as infecções.

  1. Como saber se a mulher alcançou o orgasmo?

Não existe uma reação que seja igual para todas as mulheres no momento do orgasmo. O orgasmo pode ser de uma reação muito intensa ou uma reação mais leve percorrendo todo corpo. Varia bastante de pessoa para pessoa. Mas existem algumas dicas para te ajudar a entender se teve ou não: pode haver contração contração da vagina e útero; algumas mulheres podem sentir uma leve cólica e a vagina ficar mais lubrificada (sensação de que o pênis entre sai com mais facilidade se estiver fazendo sexo com penetração); o mamilo fica endurecido; pode haver contração do corpo como um todo. Em geral é uma sensação intensa que dura alguns segundos e deixa uma sensação agradável em seguida. Mas NÃO existe uma regra. O melhor jeito da mulher saber se chegou ao orgasmo é conhecendo seu corpo. Para isso, um caminho bastante saudável e eficaz é a masturbação. Ela permite à mulher saber o que lhe dá prazer, além de conhecer qual a sua sensação quando está chegando perto e quando tem orgasmo.  

  1. É verdade que existe um ponto G na mulher? Onde fica?  

A existência do ponto G como estrutura anatômica (um ponto específico onde encontram-se terminações nervosas capazes de levar a mulher ao orgasmo vaginal) é algo controverso. Alguns pesquisadores acreditam na sua existência enquanto outros não. O fato é: algumas mulheres relatam ter orgasmos mais intensos quando a parede anterior da vagina é estimulada, sendo que para outras essa região não é o melhor ponto de estímulo. Independente disso, o melhor caminho é conhecer seu corpo e os pontos que lhe dão prazer. Testar a estimulação de diferentes pontos, incluindo da região do ponto G (localizada na parte anterior da vagina a 2-3 cm de sua entrada) permite o conhecimento de diferentes pontos que lhe dão prazer. Isso pode ser feito em conjunto com seu parceiro ou parceira, o  importante é explorar e se conhecer.