November 20, 2020

Alice promovendo mudanças na saúde

Photo by Ross Findon on Unsplash

“Nada existe de permanente a não ser a mudança” (Heráclito). Na saúde não é diferente; inúmeras mudanças aos longos dos anos fizeram dela uma área cativante de muita evolução. A ciência trouxe avanços em diagnósticos de doenças e terapias medicamentosas, cirúrgicas ou outras. Esses avanços fizeram com que vários indicadores de Saúde melhorassem significativamente.

Um dos mais marcantes é o aumento de 39% da expectativa de vida da população no Brasil, passando de 54 anos em 1960 para 75 em 2017. Já a mortalidade infantil caiu 92% no país, passando de 169 mortes a cada 1000 nascimentos em 1960 para 14 em 2018.

Agora, chegamos num momento de mais mudanças.

O Sistema de Saúde dos Estados Unidos, o mais estudado do planeta, de onde vieram a maioria das inovações de saúde e o modelo no qual a Saúde privada do Brasil se espelha, vem sendo questionado por apresentar resultados ruins de saúde e a um alto custo.

Estamos falando de um gasto de cerca de 18% do PIB americano, o que significa aproximadamente 3,6 trilhões de dólares, um valor que aumentou, exponencialmente, de 5% em 1960 a 18% em 2020.1

Dado esse cenário, surgiram propostas de mudanças como a Saúde baseada no “Triple Aim” do Institute of Healthcare Improvement (IHI)2, que melhora a experiência do usuário do sistema de saúde; assim como  a saúde da população, no que diz respeito à qualidade, satisfação e diminuição do custo per capita.

Outra proposta interessante e semelhante ao “Triple Aim” é a “Value Based Health Care” onde provedores, médicos e hospitais são recompensados pelos resultados de saúde gerado ao usuário do sistema.

Melhorar a Experiência

As inovações tecnológicas na saúde não contribuíram para uma saúde centrada na pessoa, no usuário. Na realidade o sistema de saúde é centrado na doença, onde o usuário é passivo e o médico é a autoridade. Não é a toa que existem hoje diversas novas empresas e empreendedores preocupados em colocar o usuário no centro da atenção, num formato onde a promoção de saúde e a experiência do usuário é priorizada.

Na Alice, experiência da pessoa ("membro") é central - através dos Times de Saúde acompanhamos o membro digitalmente, [pelo app Alice] e presencialmente na Casa Alice, uma casa-clínica arquitetada para ter o membro como protagonista [e não o profissional de saúde].

Funciona assim: Cada membro tem um Time de Saúde formado por uma médica(o), enfermeira(o), nutricionista, preparador físico. Ou seja, tudo que for necessário para ajudar o membro na sua busca por sua versão mais saudável, desde o seu primeiro momento na Alice.

Todo membro passa por uma consulta inicial chamada de Imersão, onde, junto com seu Time de Saúde, define seus objetivos de saúde e as ações necessárias pra chegar lá. Tudo isso vira um plano de ação acessível pelo app Alice.

A Casa Alice funciona como o que Michael Porter, [renomado economista da Harvard], chama de “Integrated Practice Unit” (IPU) - um local onde profissionais de várias disciplinas trabalham juntos para o objetivo comum: maximizar a geração de saúde e oferecer o cuidado básico necessário ao bem-estar de cada membro. A casa deixa a estética de clínica e oferece um design novo, centrado na pessoa, que integra sensação de "sentir-se em casa" ao mesmo tempo em que é funcional para promover e também cuidar de problemas básicos de saúde.

Um exemplo de como o membro está no centro é a chamada Sala da Pessoa, onde o membro aguarda os profissionais de saúde ao invés de precisar mudar de sala todo  o tempo [nossa versão de "consultório"].

Outro ponto central da experiência do membro é o acesso ao seus dados de saúde pelo aplicativo Alice. Pedidos de exames e medicamentos, resumos de consultas, metas de saúde, resultados de exames e acesso ao Time de Saúde.

Os profissionais de saúde da Alice tem conhecimento científico de excelência, ótima formação, experiência e reputação na área. Eles constroem protocolos e diretrizes de cuidado baseadas na melhor literatura existente garantindo uma conduta eficaz e segura para nossos membros.

Claro que se trata de um trabalho de mão dupla, pois, logicamente, um serviço centrado no membro não poderia deixar de se preocupar em ouvir o membro com canais de comunicação de fácil acesso e rápida resposta, além da mensuração da satisfação do membro por cada passagem dentro do sistema Alice.

Melhorar a Saúde da população

O desejo de quase todo cidadão é ter uma expectativa de vida alta - ainda mais alta que os 78,4 anos de expectativa de vida do Estado de São Paulo-, e mais do que isso, quer ter uma boa qualidade de vida. Mensuração da qualidade de vida pode ser feita com diferentes índices. É de difícil quantificação, mas subjetivamente, é um desejo de todos.

Para o aumento da expectativa de vida, são necessárias diversas ações no cuidado com a saúde da população, durante todas as linhas de cuidado que se inicia nos Times de Saúde (cuidados básicos e promoção de saúde), na secundária (especialistas) e na terciária (laboratórios e hospitais) e entre todas as especialidades médicas que podem afetar a saúde de um indivíduo.

Na Alice, todos os membros são orientados pelo seu Time de Saúde  sobre  os cuidados básicos para a promoção de saúde e para o ganho da qualidade de vida dentro da rotina e realidade de cada um. Já na atenção secundária nossos especialistas seguem as diretrizes da literatura e na atenção terciária nossos laboratórios e hospitais são instituições renomadas. Mas como saber se com tudo isso nós realmente estamos gerando saúde?

Através de indicadores de saúde, também chamados de desfechos de saúde. Ainda não há consenso na literatura sobre um indicador ideal, que contemple tudo que é importante para a qualidade de vida de um indivíduo.

Na Alice usamos o  EuroQol3, um índice muito usado e bem aceito mundialmente, baseado em cinco tópicos de saúde: mobilidade, cuidados pessoais, presença de dor, incapacidade funcional e presença de ansiedade ou depressão. Com eles, é possível avaliar uma boa parte da qualidade de vida.

Mas, para ir além, precisamos  avaliar outros indicadores: a presença de fatores fisiológicos como a pressão arterial, o açúcar sanguíneo, o colesterol e o índice de massa corpórea, assim como  de fatores comportamentais com seus hábitos e vícios, as dietas e o padrão alimentar, a prática de atividade física ou sedentarismo, a qualidade do sono, entre outros. Com essas informações podemos atuar especificamente no que for necessário para melhorar o estado de saúde da pessoa e ainda,  acompanha-la ao longo dos anos e durante novos episódios que possam afetar sua saúde.

Além deste indicador  de qualidade de vida, temos indicadores que medem a evolução dentro de uma alteração específica como nas dores lombares ou na ansiedade, entre outras. Estes questionários são conhecidos por PROMs (Patient Reported Outcome Measurements) e avalia vários domínios específicos para cada condição. Michael Porter, o economista de Harvard em seu conhecido livro “Redefining Health Care”4, reforça a importância de medir estes desfechos para mostrar a geração de valor em saúde.  

Desta forma, a análise dos dados de desfechos de saúde e a satisfação dentro da filosofia Alice permitem uma visão holística do membro e de seu estado físico, mental e emocional. Tudo isso, integrado a uma sofisticada tecnologia proprietária que permite uma entrega de saúde mais rápida, coordenada, resolutiva e próxima.

Sustentabilidade

A sustentabilidade financeira aplicada à saúde pode, além de gerar mais saúde, gerir gastos evitando desperdícios. Refiro-me, por exemplo, a exames desnecessários e cirurgias caras que muitas vezes não trazem um melhor resultado clínico. Um estudo da Kaiser Permanente mostrou que 53% dos americanos diminuíram seus cuidados médicos devido ao aumento do custo, 19% referem ter sérios problemas financeiros devido à gastos com contas médicas e 13% usaram toda ou quase toda reserva financeira acumulada em gastos com saúde.

Um estudo brasileiro, em um serviço de segunda opinião para cirurgia de coluna, mostrou que  66,4% das indicações de cirurgia foram desnecessárias e o tratamento fisioterápico foi o suficiente para melhorar a dor, função e qualidade de vida dos pacientes.5 Com isso, além de evitar cirurgias desnecessárias uma economia para o sistema de saúde foi realizada. O motivo pelo qual ainda nos deparamos com esse tipo de prática inadequada é multifatorial; mas um dos fatores é o modelo de remuneração conhecido como “fee for service”. Nele a remuneração é definida pelo que se faz e pelo que se consome, ou seja, quanto mais se faz e se consome melhor a remuneração. Isso pode levar a uma prática que não necessariamente gera mais saúde para a população e ainda causa um desperdício financeiro.

Para minimizar a má prática do modelo “fee for service” algumas ferramentas foram usadas, como a segunda opinião, a mensuração dos resultados clínicos e complicações, mas também um novo modelo de remuneração conhecido como “Bundle Payments”. Esse modelo desvincula o pagamento pelo o quanto que se faz ou se consome (fee for service) e vincula a remuneração ao cuidado integral para uma determinada intervenção, incluindo intercorrências e complicações. Essa mudança de modelo de remuneração vai ao encontro do chamado “Value-Based Care” ou Medicina Baseada em Valor onde a remuneração é atrelada aos resultados clínicos da intervenção.

Desejo Alice

Alice quer tornar o mundo mais saudável, começando pelos nossos membros, que podem disseminar a cultura de promoção de saúde.

Temos muito trabalho pela frente: Melhorar a experiência do membro, a saúde da população e reduzir o custo per capita. O que posso garantir é que esse esforço existe  em cada passagem do membro por nossos serviços. O objetivo é gerar encantamento ao mesmo tempo em que promovemos saúde e, para isso, nos valemos sempre de indicadores de qualidade em saúde. Mais do que isso, nos apoiamos num modelo que nos permite oferecer saúde de excelência, evitando desperdícios, para que mais pessoas possam se beneficiar das mesmas atenções e cuidados.

Chegamos num novo momento onde mudanças ocorrerão.

E Alice se propõe a ocupar uma posição protagonista e ativa nesse processo de revolucionar o modelo de Saúde - porque esse é o único caminho possível.

Referências

1-Badash I, Kleinman NP, Barr S, Jang J, Rahman S, Wu BW. Redefining Health: The  

   Evolution of Health Ideas from Antiquity to the Era of Value-Based Care. Cureus.  

   2017;9(2):e1018

2-http://www.ihi.org/

3- https://euroqol.org/

4- Michael E. Porter, Elizabeth O. Teisberg.  Redefining Health Care: Creating  

   Value-Based Competition on Results. Boston: Harvard Business School Press, 2006.

5- Lenza M, Buchbinder R, Staples MP, Dos Santos OFP, Brandt RA, Lottenberg CL,  

  Cendoroglo M, Ferretti M. Second opinion for degenerative spinal conditions: an  

  option  or a necessity? A prospective observational study. BMC Musculoskelet Disord.

   2017, 18(1):354